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ATA DA ASSEMBLEIA – 3ª MARCHA TRANSMASCULINA DE SÃO PAULO

Assembleia de Construção 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por Íra Barillo (@irabarillo)


A Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo foi realizada no domingo, 18 de janeiro de 2026, no Instituto Brasileiro de Teatro (IBT), na cidade de São Paulo. O evento ocorreu das 14h às 22h, com a assembleia central realizada no período da tarde, das 15h às 18h, reunindo 229 participantes, entre pessoas transmasculinas, pessoas trans e aliades.


1. Abertura


Assembleia de Construção 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por Íra Barillo (@irabarillo)


A assembleia foi iniciada com a apresentação de integrantes do IBRAT-SP, da agenda do dia e dos seguintes informes e orientações:

  • Assinatura do termo de uso de imagem e do termo de voluntariado (também utilizado como histórico de presença);

  • Uso de etiquetas de pronomes;

  • Informes sobre a venda de produtos e alimentos ao longo do dia;

  • Orientação para divulgação do evento nas redes sociais, com marcação do perfil @ibratsp;

  • Disponibilização de café e petiscos durante o evento.


Assembleia de Construção 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por Íra Barillo (@irabarillo)


Em seguida, houve a apresentação do PEC – Programa de Educação Comunitária, um dos apoiadores do evento, e da Casa de Pesquisa.


Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por @Walison_matos


2. Lançamento do “Manual de Cuidados Digitais para Transativistas e Aliades”


Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por @Walison_matos


Foi realizado o lançamento do Manual de Cuidados Digitais para Transativistas e Aliades, material voltado à segurança digital construída em conjunto com Pajubá Tech, Spectra e Rede Feminista de Cuidados Digitais.


O material aborda proteção de contas, assédio online, doxxing, roubo de celular, vazamento de dados e nome social, tudo de forma acessível e prática. Durante a assembleia distribuímos versões impressas para todas as pessoas presentes, graças ao apoio da Artigo 19.




Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por @Walison_matos


Importante ressaltar que o Manual foi um pedido feito e encaminhado na Assembleia de 2025 da Segunda Marcha Transmasculina de São Paulo para proteção e orientação dos participantes antes, durante e depois da marcha.


3. Contexto da Marcha Transmasculina e seus antecedentes

Foi feito um resgate histórico da 1ª e da 2ª Marchas Transmasculinas de São Paulo, bem como de outras mobilizações políticas fundamentais para a construção histórica da organização das transmasculinidades.

O debate ressaltou a importância da assembleia como espaço de encontro, reconhecimento mútuo, fortalecimento coletivo e continuidade da mobilização transmasculina no Brasil.


1ª Marcha Transmasculina

A 1ª Marcha Transmasculina de São Paulo foi um marco histórico no Brasil e no mundo, sendo, até onde se tem conhecimento, a primeira marcha dedicada exclusivamente à comunidade transmasculina.

Organizada pelo IBRAT-SP, com apoio de diversos coletivos e instituições, ocorreu em 3 de março de 2024, logo após o mês da Visibilidade Transmasculina.

A marcha reuniu mais de 10 mil pessoas, contou com cerca de 70 voluntários diretos e mais de 250 contribuintes, evidenciando a força da comunidade transmasculina e a urgência no combate à invisibilidade e às violências sofridas cotidianamente.

O IBRAT-SP reafirmou que a Marcha Transmasculina é resultado do legado de luta de quem veio antes e da construção coletiva do movimento.


2ª Marcha Transmasculina

A 2ª Marcha Transmasculina consolidou a continuidade do movimento, reafirmando que a existência transmasculina é organizada, coletiva e permanente.

Com o tema “Transmasculines na Linha de Frente”, a marcha reforçou o protagonismo político, social e cultural das transmasculinidades, para além de um marco histórico, afirmando-se como estratégia e futuro em construção.


4. Tema da 3ª Marcha Transmasculina

Após o resgate histórico e político, foi apresentado o tema da 3ª Marcha Transmasculina, sem oposição:


“Transmasculines em Marcha por Direitos Já”


Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por @Walison_matos


5. Planejamento Geral da Marcha


Financiamento

Foram debatidas as possibilidades de financiamento da marcha, incluindo:

  • Apoio da Secretaria de Cultura;

  • Venda de produtos;

  • Doações de pessoas físicas e jurídicas;

  • Apoio de parlamentares, sindicatos e instituições;

  • Doação de mão de obra;

  • Utilização do caixa já existente do IBRAT-SP.

  • Foi reafirmado que a Marcha Transmasculina é um instrumento de manifestação política, não um produto, e que o IBRAT-SP não negocia ou barganha a marcha.

  • Materiais

  • Camisetas: parceria com Cara Gente Cis e IBRAT;

  • Bonés: parceria com Casco e IBRAT;

  • Copos: produção pelo IBRAT.


6. Estrutura Organizativa

  • Comitês Autogestionados

  • Os comitês serão autogestionados, com um membro do IBRAT como ponto de apoio.

  • Esse membro será responsável por:

  • Registrar atas das reuniões;

  • Encaminhar dúvidas e respostas;

  • Organizar fluxos quando necessário.

  • Outras ações previstas

  • Evento de esquenta da marcha (fevereiro/início de março);

  • Agenda aberta para divulgação da marcha em diferentes espaços;

  • Lojinha da marcha;

  • Articulação com coletivos, ONGs, sindicatos e movimentos sociais;

  • Faixa no trio com apoiadores;

  • Dia da marcha: das 14h às 18h, do MASP à Praça Roosevelt;

  • Presença dos comitês a partir das 12h;

  • Garantia de passagem para acolhidos da Casa João Nery.

Assembleia de Construção da 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por @Walison_matos


7. Pesquisas

Foram apresentadas atualizações das pesquisas realizadas pelo IBRAT e parcerias:

Pesquisa Saúde Transmasculina, desenvolvida pela UNIFESP em parceria com o IBRAT, sobre acesso à saúde pública e uso exógeno de testosterona;

Perfil Socioeconômico e Demográfico, trajetórias migratórias e acesso a políticas públicas das pessoas participantes da 2ª marcha, parceria PEC - CPC, Nudhes e Instituto Polis.

Foi encaminhada a realização de um evento pré-marcha para devolutiva pública e discussão coletiva dos dados.


8. Repasses e Deliberações

Foi apresentada e debatida a proposta de que as falas no trio elétrico fossem 100% de pessoas transmasculinas, sendo aprovada em assembleia.


Detalhes gerais de repasse:

  • Abertura para Exu: mantida;

  • Ballroom no início da marcha: mantida;

  • Separação por blocos: mantida, com início pelo bloco indígena;

  • Trio de mobilidade reduzida: confirmado;

  • Falas no trio: 100% transmasculinas;

  • Compromisso com maior politização e fortalecimento das pautas reivindicatórias.


Encaminhamentos aprovados

As falas no trio elétrico serão exclusivamente de pessoas transmasculinas;

A elaboração da Carta de Reivindicações ficará sob responsabilidade do comitê designado.


9. Organização da Marcha

Todos os comitês permanecem abertos a pessoas de qualquer identidade;

Necessidade de melhor comunicação e organização da abertura para Exu;

Repasse de informações dos comitês entre fevereiro e início de março;


10. Acessibilidade e Acolhimento

Foi apontada a falta de acessibilidade efetiva no trio elétrico no ano anterior. Como encaminhamento, foi proposta a realização de um levantamento prévio das necessidades das pessoas participantes, com o objetivo de garantir acolhimento adequado.


Foram sugeridas ações como distribuição de algodão e protetores auriculares, organização de bloco específico para pessoas gestantes (com prioridade na frente da marcha), atenção a cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida, responsáveis por crianças e acompanhantes, além da criação de um segundo retângulo para acompanhar pessoas com dificuldade de locomoção.


Também foi debatida a necessidade de vagas e suporte específico para pessoas com mobilidade reduzida, incluindo a possibilidade de inscrição de acompanhantes de apoio, por meio de formulário próprio.


Outras sugestões incluíram a articulação com coletivos de pessoas com deficiência (PCD), a melhoria da logística do carro de mobilidade reduzida, definição de pontos de parada, estratégias para participação de crianças e a busca por alternativas de transporte acessível, que permanecem em análise.


Encaminhamento:

As propostas foram encaminhadas ao Comitê de Acolhimento e Inclusão.



11. Comunicação e Mobilização

Foi proposta a criação de uma cartilha com orientações de segurança e participação na marcha, além de ações de panfletagem e divulgação de direitos.


Encaminhamentos:

Cartilha: Comunicação, Segurança e Design;

Divulgação e panfletagem: Comitê de Mobilização.


12. Organização Interna e Política

Foram discutidas estratégias para fortalecimento da autogestão e retomada das atas anteriores como referência.

Pautas encaminhadas:

  • Educação e movimento secundarista;

  • Advocacy e articulação política;

  • PAES Pop Trans.


Encaminhamento:

As pautas serão incorporadas ao manifesto da marcha e encaminhadas aos comitês correspondentes.


13. Devolutiva pós-marcha (reunião de feedbacks)

Foi reforçada a importância da participação do evento de devolutiva da marcha após o evento para que possamos pensar juntos tudo que pode ocorrer melhor e de forma mais estratégica para as próximas, inclusive a construção da assembleia e melhorias.


14. Atividades pós-assembleia


A) EXIBIÇÃO DO CURTA DOCUMENTAL "DEPOIS DA QUEDA"

Como parte da programação da Assembleia de Construção da III Marcha Transmasculina de São Paulo, realizada no dia 18 de janeiro, após os debates e decisões coletivas, assistimos juntes a um curta-documentário profundamente especial sobre saúde mental de pessoas trans — um tema urgente para a nossa comunidade e central para a construção de qualquer futuro possível.


Exibir esse filme dentro da assembleia não foi por acaso. Falar de saúde mental é falar de condições de existência, de expectativa de vida e de permanência. É reconhecer que nossas lutas vão além das ruas: elas também passam pelo direito de viver, envelhecer e imaginar o amanhã.


O documentário “Depois da Queda”, dirigido por Kalú Kariú, propõe uma reflexão sensível sobre a relação das transmasculinidades com o tempo, o envelhecer e a sobrevivência. Em uma narrativa não linear, passado, presente e futuro coexistem para nos confrontar com uma realidade marcada por violência e apagamento, mas também por resistência, criação e desejo de seguir existindo.


Assistir a esse curta coletivamente, no contexto da assembleia, foi um gesto político de cuidado, escuta e reconhecimento da complexidade das nossas trajetórias.



B) PRÉ-LANÇAMENTO DO HINO OFICIAL DA MARCHA + POCKET SHOW


Assembleia de Construção 3ª Marcha Transmasculina de São Paulo, 2026, fotos por Íra Barillo (@irabarillo)


A partir das 19h, ocorreu o pré-lançamento do hino oficial da Marcha Transmasculina. O momento contou com pocket shows de Gabrelú e Pamka, além de discotecagem do DJ Talismã e DJ Garu.



O hino oficial integra a identidade política e cultural da marcha e tem lançamento previsto para o final de fevereiro, nas principais plataformas de streaming.


O evento encerrou às 22h.

 
 
 

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